Por
Fabio Ytoshi Shibao e Nilton RamosResumo
A Idade Média (500-1500 d.C.) caracterizou-se por uma estrutura social tripartida entre clero, nobreza e camponeses. Contudo, a expansão comercial fomentou o surgimento de uma classe média de artesãos organizada em guildas, responsáveis pela gestão da produção, qualidade e preços. Eventos como a Peste Negra de 1348, alteraram drasticamente o mercado de trabalho, elevando salários e fortalecendo as corporações de ofício. Profissões como açougueiro, padeiro, pedreiro, tecelão, vinicultor, pescador e agricultor consolidaram-se em associações com forte senso de identidade. A Maçonaria operativa emergiu especificamente das guildas de pedreiros (masons) e sua transição para a Maçonaria especulativa em 1717, preservou princípios fundamentais como fraternidade, sigilo, hierarquia, geometria e resistência à opressão. Este artigo investigou tal relação por meio de uma revisão sistemática da literatura, mostrando como os valores corporativos medievais constituíram a base ética e simbólica dos princípios maçônicos contemporâneos. Os resultados apontaram que a organização dos canteiros de obras e a necessidade de proteção mútua contra legislações restritivas forjaram a estrutura iniciática e o compromisso social que definem a Ordem, transmutando o trabalho físico em um sistema de aperfeiçoamento moral e intelectual.